11º campeonato · Melancia
Sede de Verão
Teu sorriso é fatia vermelha sob o sol de janeiro.
Devoro o frescor, sinto o caldo escorrer pelo queixo, manchando o peito de desejo. No calor da tarde, somos polpa doce, sementes espalhadas no lençol e a promessa de um beijo gelado que nunca termina.
11º campeonato · Melancia
O Fruto, a Pele
Que seja doce enquanto dure a polpa,
A tarde cai, a sede enfim se cala.
E que o vermelho sangre em nossa boca,
Na fruta aberta, a vida se revela.
Céu de semente, casca de esmeralda,
Ventre de terra, rima de memória.
É o sol em fogo que a pele escalda,
Beijo de água, sabor de história.
11º campeonato · Melancia
Geometria da Alma
Sob a armadura esmeralda, rígida como o asfalto, lateja um sol de carne. A vida é esse susto lírico: romper o mundo para descobrir que somos feitos de água, açúcar e pequenos abismos pretos — sementes de memória num deserto de sede. Onde o asfalto vira pele, o fruto vira prece.