5º campeonato · Cavalo
Vi um centauro num canto de sombra e luz da sala. As duas metades me possuíram. O homem na sua solidão obscura… e o cavalo inquieto prestes a cavalgar para a luz.
5º campeonato · Cavalo
Vi um centauro num canto de sombra e luz da sala. As duas metades me possuíram. O homem na sua solidão obscura… e o cavalo inquieto prestes a cavalgar para a luz.
5º campeonato · Bolinha
Luana não conseguia entender o que aquele pequeno e esférico cristal significa. A razão não alcança tal entendimento. Cansada, resolvi falir o entendimento. Pôs a esfera no peito e ali o cristal se iluminou e a fez sentir…
5º campeonato · Bolinha
Deu-lhe um sorriso verdadeiro, valioso… e uma pérola falsa. Ela duvidou do valor do sorriso e reconheceu o desvalor da pérola e a devolveu. Ele a jogou no mar… Seus olhos azuis pingavam gotas que o oceano acolheu como um tesouro perdido.
5º campeonato · Marca
Já não brincava com ele, nem com ela, nem com ninguém. Tinha medo de que vissem sob suas vestes aquela expressão de nascença a apitar que ele era diferente. Tudo o que precisa naquele seu mundo de promessas e profecias gigantes e impossíveis, era ser simples, pequeno, possível...
5º campeonato · Marca
Clementina apareceu absolutamente linda e recomposta de todas as máculas, para olhos desatentos. Lara, ao vê-la, viu o que ninguém vira. Uma cicatriz ainda viva na alma.
5º campeonato · Nota
Tinha acabado de ver a nota no jornal sobre o fenômeno da solidão no mundo atual. Olhou ao redor e viu apenas sua mãe a cochilar na cadeira de balanço. Pela janela, Lála, a vira-lata, pedia para entrar com medo da chuva. Abriu a porta e pensou no celular. Resolveu excluir sua conta no Instagram e assumir a cor real da solidão.
5º campeonato · Nota
– Como Deus nasceu? - Perguntou a criança.
A mãe olhou para noite e deixou a resposta dizer-se:
– Numa noite sem estrelas. Da Névoa do Nada, num lapso criativo, veio a sua concepção.
Admirada a criança quis saber:
– Deus era menino ou menina?
– Era um sonho e uma realidade, as duas coisas juntas. - Disse a mãe.
A menina tomou nota em seu caderno e depois dormiu.
5º campeonato · Desejo
Não desejava dizer nada. Só queria ouvir o vozerio sem ser visto. Por isso se disfarçou de ninguém, com um bigode gigante e uma boina cinza desinteressante. Passou despercebido. Voltou pra casa e refletiu sobre a palestra que fizeram sobre ele. Desejou escrever um livro para desmentir a todos.
5º campeonato · Ninguém
Tinha um lado dele que amava a todos e não rechaçava a ninguém. Altruísta, desencanado e resoluto. Tinha um lado dele que não suportava ninguém, quase odiava a muitos. Mas ambos os lados se desviavam de expectativas quando escutavam o som daquela flauta…
5º campeonato · Vazio
Só havia uma criança naquela faixa da Faixa de Gaza e, por incrível que pareça, ela sorria próximo aos escombros. O resto estava vazio. A acolheu e foi em busca de auxílio confortado por aquele sorriso.
5º campeonato · Estrela
Não queria mais olhar o passado. Era daqui em diante desde agora. Resoluto, fez-se esse juramento e contemplou uma estrela que se exibia no céu. Na verdade, aquela estrela nem mais existia. Era apenas uma imagem do passado que levou anos-luz para chegar até ele.
5º campeonato · Estrela
Fez uma compilação de tudo o que escrevera para ela e ficou na dúvida se enviaria a ela ou não. Afinal, era pra ele ou pra ela? Juntou aos escritos fotografias que ilustravam os momentos. Não as enviou. Guardou os recortes num pote de louça em formato de estrela que ela lhe havia dado no tempo em que eram astronautas.
5º campeonato · Pétala
Vendo as pétalas que caíam no chão, o Sr. Pitágoras pensava na vida, nos tempos em que gritava as suas fúrias. Hoje, a calma lhe cantava aos ouvidos ao som das “teclas” das flores. Cada flor bem cuidada, era uma pétala da certeza de que agora o tempo era de paz, amor e gentileza…
4º campeonato · Anel
O casamento se desfez antes que o momento do altar chegasse. Ela o desfez, porque emergiu um não desde o mais profundo de si. Contraditoriamente, porém, ela o amava em profundidade. Sonhou, na noite do casório extinto, com o anel de casamento. Sentiu uma tristeza medonha no coração e o procurou. Ele estava destruído, mas seu sorriso ao vê-la denotou o brilho vivo daquela aliança.
4º campeonato · Anel
Só um daqueles forjados pelo fogo carregava o poder de, ao se desfazer, desfazer o grande mal. E apenas um, entre tantas coragens, poderia levar consigo aquela energia viva. E a alma daquele objeto desejava retornar ao seu criador. A força do espírito de quem o portasse tinha de ser mais forte que o desespero de todos os gigantes juntos…
4º campeonato · Receita
Depois que descobriu que ninguém a sua volta tinha a receita da felicidade, parou de considerar orientações que lhe davam para que sua vida crescesse feito o bolo que tantos queriam provar, menos ele. Desde então, Perseu não mais persegue a perfeição naquilo que não quer ser. Está morando sozinho, adotou um gato vira-lata e faz quentinhas para fora, enquanto estuda Gastronomia.
4º campeonato · Receita
Nalva determinou o tempo em que tomaria aquela sopa de legumes como o limite para rasgar em si todas as cartas que a angustia lhe enviara. E assim o fez. Lavou o prato, guardou as panelas, tomou um banho, ouviu Milton Nascimento. Depois pôs sua nova roupa e saiu para enlouquecer de sincera alegria na noite estrelada.
4º campeonato · Receita
Disse Cacau à Ana:
Faça Dança! A dança lhe trará a força da leveza.
Ana relutava, não se via aos 56 anos a dançar, a sapatear, a levantar braços e pernas em nome da delicada vivência de uma promissora maturidade.
Certa feita, passando as mãos sobre o dorso do burro Lion, ela sentiu uma vivacidade em paz muito grande e abraçou o doce animal. Pensou em seu amigo Cacau e sorriu junto com o sol. Dançou ao léu. Recomeçou a vida.
4º campeonato · Receita
Não vá embora no silêncio. Fique um pouco mais e deixe-me pressentir o quanto a vida quer lhe sentir. Quero vê-la dançar no sol, meu amor, ao lado das folhagens verdes e saltar alto para alcançar o gato sobre os galhos. Fique entre nós para que o tempo pare e eternize em nós o infinito… o infinito.
4º campeonato · Receita
Quis muito ser escritor, mas ainda não tinha escrito o livro. Era, no entanto, um grande leitor e lia toda sorte de escritos. Ficava ali, no seu ofício de sapateiro, dizendo para Amora Cristina: Cada sapato desses que você vê, querida, um dia será um livro meu. Amora, sempre amorosa, lambia suas mãos talentosas e brincava, arteira, com os sapatos.
4º campeonato · Receita
Quis muito ser escritor, mas ainda tinha escrito o livro. Era, no entanto, um grande leitor e lia toda sorte de escritos. Ficava ali, no seu ofício de sapateiro, dizendo para Amora Cristina. Cada sapato desses que você vê, querida, um dia será um livro meu. Amora, sempre amorosa, lambia suas mãos talentosas e brincava, arteira, com os sapatos.
4º campeonato · Receita
Quis muito ser escritor, mas ainda tinha escrito o livro. Era, no entanto, um grande leitor e lia toda sorte de escritos. Ficava ali, no seu ofício de sapateiro, dizendo para Amora Cristina: Cada sapato desses que você vê, querida, um dia será um livro meu. Amora, sempre amorosa, lambia suas mãos talentosas e brincava, arteira, com os sapatos.
4º campeonato · Bilhete
Por não ter nada, ninguém dava nada por ela. E quando Tatus por ela se apaixonou não faltou quem dissesse: mulher sem nada, sem "nível superior". E ela fazia e vendia nhoque para fora. Com esse trabalho criou os filhos, fez ensino médio, operou os olhos e comprou uma geladeira nova. Para estrear a geladeira, deixou um bilhete pros filhos e pro Tarus que dizia: Consegui! Tô indo trabalhar. Amo vocês!
4º campeonato · Drama
Em meio a tantas mortes, aquela vontade de viver de Jurema era como o supra sumo de um poema necessário ao bem estar dos sorrisos. O manto frio da morte cobria toda a comunidade com o desabrigo da alegria. Mas dia após dia, Jurema, na sua poesia cotidiana, resplandecia em graça, em força e em luz através do manto de sua coragem aquecida. Por isso, após sua morte, jamais foi esquecida.
4º campeonato · Drama
Jhony cavou, cavou, cavou… E enquanto cavava gritava de raiva. Seu pai se fora há tempos lutar na terra do sol poente e não voltara. Cavou, cavou, cavou com a fúria da sede da saudade, na intenção louca de extravasar sua dilacerante dor. Cavou para perfurar o mundo que lhe tirara o bom pai, o melhor amigo. Quando a água apareceu nas entranhas da terra, lavou o rosto e chorou, chorou, chorou…
4º campeonato · Romance
O trem que levava Maria, não levava José. Mas no trem em que Maria viajava, cada vagão continha um pedaço do suspiro que dela emanava como um lamento de amor. Ia embora sim, pois o risco de amar aquele homem não lhe oferecia a segurança de uma forte aventura. Mas trazia, no ventre, um vento que em breve em Brisa se tornaria. O amor seguia com ela nos trilhos…
4º campeonato · Fantasia
A dura vida de Aparecida não tinha espaço para fantasia, nem fadas, nem cobras aladas. As pedras do Sertão eram o caminho de sua procissão rumo à labuta. Só que não. Os cactos falantes estavam a preparar o bote do bem, organizando todo um exército de cactos e pedras vivas que em pouco dias fariam da vida de Aparecida uma epopéia rumo ao esconderijo da água. O Sertão tinha que se tornar o lugar mais fértil daquela dimensão.
4º campeonato · Fantasia
A tristeza de Sosô era tanta, que os brotos da Árvore do Sorriso soluçavam de chorar. E Tamires, a feiticeira azul, ficou tão sentida que fez nascer o dia do aniversário daquele menino sem idade. Então, confeccionou um bolo recheado com a essência de todas as vozes e todas as nozes remanescentes da Felicidade. Quando Sosô provou o primeiro pedaço, a festa, nele prisioneira, se libertou… e brotos sorriram de novo.
4º campeonato · Fantasia
Silvio olhou pelo buraco da fechadura para tentar ver o que tinha dentro do quarto proibido. Então, a jovem joaninha, de nome Léia, apareceu e lhe perguntou:
– O que você busca?
– Uma grande aventura! - Respondeu.
Dito isso, Silvio encolheu, ficou do tamanho de Léia e entrou no quarto que, na verdade, era um mundo de proporções diferentes…
4º campeonato · Fantasia
Irritada com a inação de seus desenhos, Lismari os rasgou. Quando o relógio cuco bateu as doze badaladas, enquanto ela dormia, os desenhos, jogados na lixeira, se auto colaram, se recoloriram e começaram a voar pela casa. Lismari acordou por causa daquela algazarra de papel e cores e o ânimo de viver lhe coloriu os olhos. Sentiu-se de novo, mesmo já adulta, uma menina criativa.
4º campeonato · Fantasia
Tetél viu, próximo das Três Marias, o que pensou ser uma estrela cadente e fez um pedido: Quero dar uma estrela de presente pro meu Tio Jodói, que não tem mais tempo de olhar o céu. Na verdade, não era uma estrela cadente e sim um cometa. E a força do vento que ele fez deslocou as Três Marias que caíram sobre a Terra, na praça em que Tetél morava…
4º campeonato · Fantasia
A máquina de conduzir ao sonho alheio quebrara. Dione, a Deusa do Pesadelo, a tinha quebrado, pois temia a infestação de bons sonhos. Dr. Taulo, porém, disse a Daúde:
– Querida, você não precisa da máquina se seu sonho bom for o mesmo que o de sua mãe…
Daúde, então, na Noite dos Acordes Impossíveis, conseguiu entrar no sonho de Tantam, que também era o dela.
E quando ambas acordaram, Tantam estava totalmente curada.
4º campeonato · Fantasia
O Galo Dirceu escreveu o seu primeiro livro, mas era um romance sobre seu grande amor, Joana. Era uma ciranda de poesias ovíparas que não encantou apenas as aves, mas também aos mamíferos. Sara, a vaquinha, chorou de alegria e saudade ao lê-lo.
4º campeonato · Fantasia
Os esforços para derreter o gelo eram em vão. E o Sol sofria a perda de sua força. Lili e o Coral Mágico não sabiam como evocar a Rainha. E quando o silêncio ecoou no Vale Gelado, a última gota de orvalho caiu. Da gota surgiu a Rainha da Voz de Cristal, única capaz de devolver ao Sol a sua força. E assim se deu e o Vale foi salvo. Lili saudou a rainha:
– Qual é o seu nome, senhora?
A rainha, com um solar sorriso, disse:
– Meu nome é Gal!
4º campeonato · Terror
O gato branco surgiu correndo em direção ao velho cemitério. Dolores correu atrás dele que a levou ao mausoléu da família. O lugar estava desfigurado, as paredes com infiltração, ratos sobre as tumbas. Dolores entrou após o gato e por trás de uma sombra viu sua avó… que lhe dizia: Acorde! Ele está à espreita… Com o eco dessas palavras ela acordou e, pela janela, viu os olhos de sangue que a fitavam…
4º campeonato · Terror
Acordou acreditando que já era manhã. Mas a Noite Eterna roeu as luzes do amanhecer e os espíritos tormentosos se envaideceram com o brilho da treva… e ganharam força. Zelda desceu as escadas apressada e encontrou portas e janelas abertas. A alma opaca de Zulmira trouxe o vento mais frio e fez menção de entrar. Mas, a força materna de Zelda gerou uma película lilás que bloqueou as investidas do mal por um tempo…
4º campeonato · Terror
Os passos estavam próximos. Zaqueu fitou Elisa, livido. Os passos cada vez mais nítidos. Zaqueu acelerou a respiração e as luzes do quarto entre a penumbra e a escuridão. Os passos deslizavam altos no corredor. Zaqueu, angustiado por não poder falar, pronunciou sem voz: Grita! Elisa, num esforço sobrehumano, gritou a força do seu desespero. Os passos cessaram. Mas a mórbida presença estava parada atrás da porta.
4º campeonato · Terror
Corria loucamente, desesperadamente já no limite das forças. A câimbra em suas pernas atingiu o nível do insuportável…! O lobisomem, feroz e enorme, quase o alcançava… Pela sua mente passou a resolução de desistir. A frente, um abismo. Lembrou, no entanto, da voz fria e amorosa da vampira que o amava, a dizer: Chama meu nome! Então, gritou: Tânia! E pulou… Do abismo, um gigante morcego o salvou com suas asas.
4º campeonato · Terror
Poucos sabiam que o padre da Teoria da Libertação era um exorcista. Na iminência de ver a filha sucumbir pela pocessão a líder comunitária o convocou para a sessão. O cacique da tribo o estava ajudando, assim como a mãe de santo. E o padre ordenou ao demônio: Diga o seu nome! E todos repetiram: O seu nome! Após horas, o maligno se entregou: BOLSONAROOO! Os médiuns presentes viram o espírito a fugir pelo ralo.
4º campeonato · Humor
Disseram-lhe errado de propósito que a festa era Black Tie, mas era, na verdade, à fantasia. Fulminou com o olhar a implicante e mentirosa ex-nunca mais - namorada e, num ímpeto de criatividade urgente, tirou o traje e entrou totalmente nu na festa. Sua mãe exclamou apavorada: Adão!
4º campeonato · Pico
De todos os micos que lhe atribuíram na suas diárias tentativas de romper limites, o mais sonoro foi quando ele não conseguiu atingir o pico. Fico pensando que se Téo tivesse conseguido, a cara de sarcasmo daquele povo teria falido. Mas ele conseguiu na segunda brilhante tentativa…! E nesse caso, a segunda é como a primeira. Aqui do Everest lhe enviei, por mensagem, o meu sorriso.
4º campeonato · Pico
– Sai do meu caminho ou te pico - Ameaçou a cobra.
– Você foi mais gentil com ele… - Ponderou o rapaz.
– Só que você não é o Pequeno Príncipe. História errada. Vá procurar sua saga.
E seguiu:
– Tira essa peruca loira e saí desse deserto que não te pertence.
O rapaz tirou a peruca, mudou a roupa,
e, do deserto, nasceu a cidade.
– Agora sim - Disse o réptil.
– Mas quero manter a relação com a flor… - Confessou.
– Ok. - Concordou a cobra.
4º campeonato · Policial
Pedro viu a viatura passar e correu para se esconder. Corou! Seu coração bateu mais forte que um tiro no peito. Imaginou-se algemado e grudado para sempre ao que lhe cabia pela lei. A lei do código penal? Não meus caros, a lei do amor. Pedro estava apaixonado pelo belo policial…
4º campeonato · Ontem
Aurora estava ansiosa para chegar o amanhã, só pelo prazer de poder dizer com toda carga de um belo futuro: Tudo o que sofri por você está no ontem…
4º campeonato · Ontem
Quando os "abutres" o quiseram "rasgar", ela o salvou. Quando tantos o deixaram, ela selou o compromisso. E ele, na primeira prova de amor, a traiu. Até seus alunos, jovens, sabiam amar mais que ele. Será que ele era o tosco que todos, menos ela, viam? Onde estariam os sinais a inspirá-lo à atitude de um homem? Na rádio tocou Yesterday. Chorou e lembrou de tudo. Pegou um táxi rumo ao aeroporto. Talvez ainda desse tempo.
4º campeonato · Sinais
Segundo a profecia, quando a quinta geração gerasse um filho que tivesse o sinal da lua no peito, esse filho venceria o povo do outro lado do arco íris, pelo qual tinham ódio. Segundo a profecia do outro povo, essa redenção aconteceria através do filho com o sinal do sol. Os dois escolhidos pelas profecias, um dia, se conheceram e se amaram. Juntos venceram o ódio. Os sinais enfim preconizavam o amor entre lua e sol.
4º campeonato · Sinais
A ventania cobriu-lhe o corpo e descobriu-lhe a alma. Ela veio com a hiper dimensão de um sopro de inspiração numa hora em que Helena havia perdido o movimento da intenção… de ser intensa, de ser feliz. O vento varreu do seu corpo as marcas das cicatrizes e, da sua alma, o pó da melancolia. E, nela, a ventania plantou sinais da força da Vida. Depois desse sopro, Helena se converteu num furacão de liberdade.
4º campeonato · Alunos
Lia entristeceu. A aposentadoria a cansou. Passaram a tratá-la como a velha senhora sem sonhos. E por toda a vida, com seus alunos, lidou com sonhos. Pensou em se matar? Para quê? Desfez a ideia triste e ficou quieta por uma semana. Refletiu. Se lembrou que antes de lecionar queria apreender. Fez o Enem e passou. Disseram-lhe que já era velha. E daí? A velha professora agora seria uma nova aluna de Filosofia.
4º campeonato · Alunos
– Meu avô é astrônomo e ele me disse que o sistema solar é uma grande sala de aula.
– Como assim? - indagou o outro menino.
– O Sol é o professor e os planetas são seus alunos e alunas…
– Então a Terra é uma aluna de sol?
– Pois é?
– E qual o nome da escola?
– Xiii… vou perguntar… Vooô, qual o nome da escola dos planetas?
E a voz do avô responde
– Educandário Inverso do Universo…
– Nossa! - Exclamou amigo. Vamos jogar bola de gude?
4º campeonato · Selo
Durval corrigiu:
– Mãe, não coleciono selos, e sim moedas.
– Foi o que eu disse - Retrucou Lara.
E seguiu a ligação.
– Tônia, a coleção de moedas de Lélio é linda!
– Mãe, Lélio é meu irmão. Sou Durval.
– Durval? Claro! Foi o que falei –
Disse confusa.
Aos poucos, não mais a corrigiu. Mesmo quando ela o esqueceu completamente, pelo toque de suas mãos, ele sabia que ela, em algum lugar de si, nunca o esqueceria.
4º campeonato · Rasgar
A carta chegou. Correu, a abriu e a leu. O que dizia? Mais uma promessa de encontro pessoal e afetuoso. Com esta somamam-se 150 cartas, todas lhe dando vãs esperanças. Resolveu rasgá-la em mil pedaços de solidão. Foi para o quarto, pôs o vestido novo e decidiu não mais escrever a si mesma. Por uma trilha em flôr, foi ao seu próprio encontro.
4º campeonato · Rasgar
Não queria mais a noite. Queria encontrar a fenda do tempo que lhe levasse ao sol, pois vivia numa noite sem estrelas. Tivera um sonho em que a claridade lhe sorria e lhe fazia dançar. Precisava disso. Mas onde a fenda? Cansou de esperar. Rasgou a noite com sua espada de prata e gerou seu próprio portal. Atravessou-o e descobriu a luz do dia.
4º campeonato · Rasgar
Os dois amigos comentavam:
– O que mais te lembra ela?
– O cheiro de canela e a voz doce…
– E a você, qual sua lembrança?
– A paz que a agitava por dentro…
Ambos caminhavam lado a lado sob árvores cheias de ninhos de saudade.
Mais a frente, o firmamento a rasgar, num fio azul, sua relação visual com o mar…
4º campeonato · Rasgar
Comentam as más línguas que ela destruiu o bilhete premiado. Há quem afirme ter visto papeizinhos picados voando pela janela, seguidos gritos de loucura. Ninguém, porém, pôde provar tal desatino. Para todos, ela teve um mau destino, levada aos berros ao hospital psiquiátrico. Todavia, há anos vivia com o psiquiatra numa ilha… paradisíaca.
Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.
Escolha um campeonato e uma palavra, e leia um por um, até o último.