5º campeonato · Pétala
O VOO DA PÉTALA
Da moldura vazia da janela, Rosa precipitou-se sem susto. Pelos eiriçados, o gelo vertebral, o tácito prazer daquela breve entrega, os últimos olhos castanhos, o pavor dentro do silêncio... Tudo, na estúpida queda, com ela flanava.
Em um mórbido e perfeito sincronismo, Madreselva, agora ja sem o discreto buquet, dá um passo para fora do antigo prédio, quando então ruge feroz o impacto do corpo no chão do passeio. Da frágil e trêmula mão por onde os últimos fios de vida - a mão do coração que lenta se abre -, alça voo na térmica da sexta-feira confusa a delicada pétala, cheia de segredo. A pétala branca, como um pássaro de cetim, em direção ao impossível céu.