11º campeonato · Diálogo
Tourette & TOC – Caos em Série
— Não pisa! Não pisa!
— Pisei! Droga! Palavra escapou!
— Volto cinco vezes.
— Xinguei poste, chão, ventilador e parede!
— Conto até dez…
— Um, dois… tique! Três! Outro tique!
— Começa de novo.
— Eu começo… você organiza.
— Dez. Ufa… por enquanto!
11º campeonato · Diálogo
TAG & Borderline – Montanha-Russa Mental
— E se der errado?
— Vai dar… não vai?
— Mas e se não der?
— Para de pensar!
— Mas se eu pensar demais?
— Não pense!
— Pensei… estou mal.
— Ufa… calma.
— Calma? Agora tô animado!
— Só segura a corda… respira…
11º campeonato · Diálogo
TDAH & Dislexia – Letras Fugindo
— Preciso escrever…
— Escrever o quê?
— Ah… palavras… elas dançam na página!
— Dançam? Que página?
— Espera… letras! Viraram números!
— Socorro… não lembro a ordem!
— Respira… começa de novo…
— De novo? A frase mudou!
— Ótimo… caos criativo ativado!
11º campeonato · Fotografia
Negativo da Ausência
No fundo da gaveta, a fotografia respira poeira. Teu sorriso, preso em sépia, ainda me encara. O tempo rasgou o papel, mas não o instante. Cada dobra é um adeus não dito, cada sombra, a prova de que a luz já foi nossa.
11º campeonato · Fotografia
Câmara Escura
Entre químicos e silêncios, teu rosto emerge no papel molhado.
A imagem não mente — apenas fixa o que já morreu.
No grão da prata, habita um instante irrepetível.
Fotografar é assassinar o tempo
com delicadeza estética.
11º campeonato · Fotografia
Modo Retrato: Caos
Fui tirar uma foto conceitual.
Acendi vela, fiz cara de mistério.
O gato pulou, a vela caiu,
o cabelo queimou na franja.
Resultado: obra-prima do desastre.
Chamei de “luz natural dramática”.
Ganhei 87 curtidas e um extintor novo.
11º campeonato · Bolso
No fundo do bolso, ela guardava o mar: uma concha, um grão de areia, sal nos dedos e um silêncio de maré baixa. Quando a tristeza vinha, mergulhava a mão ali — e a alma voltava a respirar como onda.
11º campeonato · Bolso
No fundo do bolso, ela guardava um jardim: uma pétala seca, um grão de pólen, perfume antigo e um silêncio em botão. Quando a tristeza vinha, colhia ali — e a alma voltava a florescer.
11º campeonato · Bolso
No fundo do bolso, ela guardava o céu: um fiapo de nuvem, um sopro de vento, um azul dobrado e um silêncio de horizonte. Quando a tristeza vinha, buscava ali — e a alma se abria em arco-íris.
11º campeonato · Banda
No casamento, a banda errou a música. Em vez da marcha nupcial, tocou funk. A noiva riu, o noivo dançou, a avó rebolou. No fim, ninguém lembrou do erro — foi a festa mais feliz da família.
11º campeonato · Banda
No bar vazio, a banda tocava para cadeiras. Quando a última nota morreu, os músicos perceberam: o público não tinha ido embora. Nunca existiu. Ainda assim, os aplausos ecoaram — vindos de dentro deles.
11º campeonato · Banda
Na cidade cinza, a banda tocou na esquina. A cada acorde, cores brotavam nas paredes, risos nas ruas, flores nas janelas. Quando a música parou, o colorido não foi embora — tinha encontrado casa nos corações.
11º campeonato · Ficção
Plano geral: a cidade em chamas sob um céu artificial. Close na protagonista correndo. Sirenes. Corte. Ela atravessa a porta de saída… e para. Do outro lado, uma sala escura. Pessoas aplaudem. No letreiro: Ficção — sessão encerrada.
11º campeonato · Ficção
Abriu o livro marcado como Ficção.
A primeira frase descrevia exatamente o que ele fazia.
Virou a página, tomado pela náusea.
As folhas finais estavam em branco.
E a tinta começou a surgir enquanto ele pensava.
Cada medo virava destino.
11º campeonato · Ficção
O disco começou a tocar sozinho.
A música narrava seus passos, seus medos, sua respiração.
Quando tentou parar a vitrola, a voz sussurrou:
— Ficção é quando você acha que está vivendo… E percebe que só está sendo trilha.
11º campeonato · Cobre
No leito do rio seco, o cobre dormia em veias antigas. Toquei-o — morno, quase vivo. Dizem que metais guardam memórias. Talvez por isso, ao voltar para casa, minhas mãos brilhavam… e meu coração pesava como se carregasse a terra inteira.
11º campeonato · Cobre
A manta me cobre, e as vozes do inverno sussurram aconchego. O frio bate nas janelas, mas aqui dentro mora um calor manso. Entre fios e silêncio, descanso — como se o mundo lá fora pudesse esperar.
11º campeonato · Cobre
O universo me cobre em silêncio. Entre estrelas e vazios, respiro constelações. Sou pequeno diante do infinito, mas dentro de mim também nascem galáxias — e um calor antigo que nenhuma noite apaga.
11º campeonato · Melancia
A melancia dormia na mesa como um pequeno planeta verde. Ao cortá-la, o vermelho explodiu em verão, e as sementes pareciam estrelas caídas. Comi uma fatia e, por um instante, o mundo ficou doce, fresco e inteiro dentro da minha boca.
11º campeonato · Melancia
No calor da tarde, a melancia foi aberta como um segredo. O vermelho brilhou, as sementes sussurraram promessas de chuva. Cada pedaço escorria frescor pelos dedos. Ao provar, senti o verão pulsar — breve, doce e vivo.
11º campeonato · Melancia
No quintal, a melancia caiu e se abriu sozinha. O vermelho espalhou verão pela terra, e as sementes ficaram como promessas de futuro. Peguei um pedaço do chão e provei: tinha gosto de sol, infância e tempo que não volta.
11º campeonato · Ano
Na contagem regressiva do Réveillon, o céu explodiu em fogos e o champanhe dançou nas taças. Entre abraços, você brindou à meia-noite. Não era só festa — era a esperança estourando como espuma em um novo começo.
11º campeonato · Ano
O ano virou na parede do calendário, mas dentro de você o tempo floresceu diferente. Dias secos viraram sementes, lágrimas adubaram coragem. E quando dezembro sorriu, você percebeu: não foi o ano que passou — foi você que renasceu.
11º campeonato · Ano
Na virada do ano, você vestiu branco e lançou flores ao mar para Iemanjá. As ondas levaram seus medos e devolveram coragem. Quando o primeiro sol nasceu, você sentiu: não era só um novo ano — era um coração lavado de esperança.
11º campeonato · Toa
À toa, ela abriu a janela e deixou o vento entrar. Sem motivo, sem pressa, sem destino. Foi então que percebeu: o inútil também cura. Há dias em que existir sem propósito é o único sentido que a alma precisa.
11º campeonato · Toa
À toa, você deriva no azul sem destino. As horas são ondas lentas, e o vento escreve silêncios na água. No balanço do sal e do infinito, a alma entende: às vezes, existir é apenas mar, imenso e livre, dentro do próprio peito.
11º campeonato · Toa
Entre nuvens claras, o sol costura um arco-íris no silêncio do céu. As cores se derramam lentas, como um suspiro de luz. E ali, à toa, suspensa entre brilho e vapor, a alma descobre que a esperança nasce quando o dia decide sonhar.
11º campeonato · Umbigo
No sertão, o umbigo de Virgulino é uma marca na terra onde dizem que Lampião deixou a guerra do peito. Quem pisa ali sente o calor antigo: pólvora, sol e destino. Ao partir, percebe: não é o lugar que guarda a memória — é o coração de quem escuta o sertão.
11º campeonato · Umbigo
No futuro, os umbigos serão portais.
Cada pessoa poderá voltar ao seu primeiro instante de paz.
Ninguém correrá, ninguém temerá.
Bastará um toque no próprio centro — e o mundo lembrará como é recomeçar.
11º campeonato · Umbigo
No centro do corpo, o umbigo é um pequeno silêncio.
Cicatriz de um amor antigo, ele lembra: antes de sermos mundo, fomos abrigo.
E, no fundo, ainda carregamos a saudade do primeiro cuidado.
11º campeonato · Moeda
Achou uma moeda na rua.
— É meu dia de sorte! — disse.
Comprou um café. A moeda era antiga, fora de circulação.
O caixa ficou com ela “como lembrança”.
Saiu sem café, sem moeda
e com um sorriso histórico.
11º campeonato · Moeda
A moeda caiu no bueiro.
— Era de um real! — lamentou.
Minutos depois, voltou com um ímã, um cabide e uma lanterna.
Resgatou a moeda… e perdeu o celular.
Olhou para o céu, suspirou:
— Agora virou investimento de longo prazo.
11º campeonato · Moeda
No futuro, moedas caíam do céu sempre que alguém fazia o bem.
Ele ajudou uma senhora, salvou um gato, plantou uma árvore.
Choveu dinheiro.
Rico, sorriu…
até lembrar: naquele mundo, ninguém mais cobrava nada.