5º campeonato · Vazio
Tudo arrumado, enfim. Fitou as paredes, os móveis, suas pernas cruzadas. Brincou com as mãos, girou os tornozelos. Silêncio. Sentada, mira todos os cantos possíveis: falta alguma coisa? Conseguiu sair da letargia, cumpriu seus objetivos e, e, e agora? Suspira um grande vazio. Precisava sonhar outros mundos.
5º campeonato · Vazio
O ar pesado e quente golpeia seu corpo inerte de olhos cansados, com dificuldade chega às narinas. Aos pulmões, quase nada. Nada enche. É bolha de metal que envolve sua existência, não deixa que nada entre para findar o vazio. Encher os pulmões. Esvaziar os pulmões. O movimento é feito. Não sentido. Curva-se à fatalidade das sensações invisíveis.
5º campeonato · Vazio
Glitter, fantasias, cerveja e suor. Ali, na bailada de gentes e de amores, uma ideia tomou conta: que absurdo! A farsa da festa tinha mais substância que a lida cotidiana. Quis se virar do avesso e voltar sentir seu propósito, sempre foi uma mulher com pés-no-chão. De gole em gole, tentou. Do avesso: nem odalisca, nem trabalhadora. Sorri, esvaziada de si.
5º campeonato · Estrela
PRIMEIRO BEIJO
tardezinha e
o redor todo respingado de brilho-cobre-dourado
sentadinho do meu lado:
você-todo-sorrisinhos
eu-apressadinha-pronta-de-ir-embora
fui me despedir com beijoca na sua bochecha
vi-
rou
olho-no-olho
ai!
que estalo! o sol se pôs nas nossas bocas
um raio vermelho pulou na minha cara
corri-anos-luz. e nunca mais.
5º campeonato · Corpo
Cutucaram-na: Dona ‘X’, chegou a sua vez. A voz parecia um eco distante. Seu nome próprio já não cabia na extensão do corpo, este era muito mais, alguma coisa de indizível. Uma alegria inominada - tal qual ela mesma - tomou conta de todos os poros: estou viva.