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Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

Lucas S. Tavares

@lord.lucas.escritor · 50 microcontos nos campeonatos 12º, 11º e 9º.

12º campeonato 14

12º campeonato · Nacional

O Patriota Fake

Sigilos, engavetamentos, tramoias, omissões, manipulações, parcial... tudo a serviço da "pátria" e de seus "chefes".
Aos seus "inimigos", atirou pedras... seu telhado era de vidro.

12º campeonato · Morte

Memento mori

A Terra chorava sangue, tremia de pesar e ardia em desgosto... pelos seus filhos ingratos.
Mas nada é eterno, e ela é inevitável... e, cedo ou tarde, eles se lembrariam.

12º campeonato · Calo

O Deus Dinheiro

Seu corpo estava podre, as veias deturpadas, a corrupção em todo o seu âmago. Travestiu-se da religião, não seguia nada que o "livro" pregava.
Mas a verdade sempre prevalecerá... ela revelou seus muitos calos.

12º campeonato · Chupeta

Vampiros Estranhos

Nada de gótico e clássico; a moda agora eram ternos de luxo.
Escuridão e regras são passado. Hoje é a luz do dia, camuflados na religião.
Eles chupam, não sangue... e sim, dinheiro.
Apenas uma coisa se manteve igual... o mal em seu ser.

12º campeonato · Bandeja

O Ritual do Domínio

Os cultistas formavam um círculo; sobre o altar, jazia uma bandeja de prata. O Grão-Sacerdote levantou a tampa, revelando o coração de um arcanjo, que pulsava frenético. Então, ele o apunhalou com uma adaga de marfim.
O controle da Terra permaneceria por mais um ano.

12º campeonato · Aurora

A Aurora da Nação

O povo lutou por sua pátria e seus entes. As batalhas foram árduas; os inimigos, internos e externos. Mas, no fim, triunfaram.
As treze armas ajudaram: verdade, espada, martelo, foice, cruz...
Os raios de sol surgiram no fim de outubro. No palácio, tocou "Dawn of Victory".

12º campeonato · Proparoxítona

O Código Proparoxítona

A primeira letra de cada palavra: e o povo vencerá!
Triângulo
Romântico
Espírito
Zodíaco
Esplêndido

12º campeonato · Ilha

O Reality

Tiveram a brilhante ideia de usar presos no programa. As elites adoravam: não existiam apostas melhores.
O desafio: quem sobrevivesse um mês em uma ilha ganharia a liberdade e um milhão de dólares.
— Queimada Grande, Sentinela do Norte ou Ramree? Qual você escolhe?

12º campeonato · Nervo

O Relator

Cortou os nervos das instituições.
Os nervos do povo explodiram.

12º campeonato · Entrega

O Entregador

A campainha tocou. Cecília abriu a porta, e o homem entregou a caixa.
— Que encomenda é essa? Não pedimos nada.
— Ouvimos suas súplicas.
— Mas...
— Use-o!
Ela abriu a caixa e o pegou. Caminhou até a mesa. O marido a encarou.
O estampido ecoou, colocando um ponto final.

12º campeonato · Cãibra

Mal-ouvido

Sua mãe sempre dizia: “Não nade depois de comer.” Mas ele não deu ouvidos.
O dia estava quente, o rio refrescante. Banhava-se alegre, enquanto a correnteza insistia. A fisgada veio aguda; a cãibra, violenta. O estômago revirou, a convulsão começou.
Viu pela última vez o brilho do sol.

12º campeonato · Lago

Encantamento

As palavras ecoavam em suas mentes:
“Da água viemos e para a água retornaremos.”
Caída no chão, seus olhos azuis brilhavam como a lua, fixos nos seus raptores. Enfeitiçados, eles caminhavam rumo ao grande lago.
Ela sorriu e lembrou-se da mãe:
“Suas palavras têm poder.”

12º campeonato · Virgem

Os Destruidores

Desembarcaram na ilha virgem. O paraíso foi profanado pelos demônios humanoides.
As dóceis aves, adaptadas a um mundo sem violência, conheceram o horror e a maldade dos estranhos macacos sem pelos.
Sem nome, virou símbolo da extinção: o pobre dodô!

12º campeonato · Cesto

O Cesto das Almas

Você sonhava quando, em meio à névoa cinza, entrou numa misteriosa sala branca. Sem janelas ou portas, apenas estranhos objetos espalhados. Entre espadas, livros, estátuas e bonecas, algo chamou sua atenção: um grande cesto de vime. De seu interior, algo gritava:
“Não o abra!”

11º campeonato 30

11º campeonato · Diálogo

A Revelação

Ele sempre soube que não estávamos sozinhos. Observava as estrelas, escutava os sussurros até decifrar as mensagens. Quando enfim responderam, seus novos amigos o alertaram:
— Se não se unirem, a Terra perecerá. Será difícil, doloroso… mas não impossível.

11º campeonato · Diálogo

A Torre

Os diálogos entre eles fluíam quase sobrenaturalmente; tamanha era a conexão. Compreendiam diversas línguas ao mesmo tempo, compartilhavam saberes e dons. Mais que amigos, eram irmãos. Unidos, eram um só corpo, uma só mente. Eles eram a Torre.

11º campeonato · Diálogo

O Arauto

A missão mais importante: a vida de todos dependia dele. Recebeu a honra, e o fardo, de erguer pontes, remover obstáculos, espalhar a mensagem. Sacrificou a própria vida por altruísmo. Eles precisavam se unir, se entender, se conectar. As estrelas os aguardam.

11º campeonato · Fotografia

A Fotografia

Ela pegou o envelope na caixa de correio e o abriu. Havia apenas uma foto, dela, no trabalho. Ao virá-la, gelou. Nas costas, uma frase escrita à mão:
“Você será minha. Só minha. De mais ninguém.”

11º campeonato · Fotografia

O Fotógrafo

Dizem as lendas que, se você é uma boa pessoa, não há o que temer. Mas, se não é… ele o caça. Fareja seus crimes, traições e maldades, e os pune. No momento final, ergue sua velha Polaroid e aprisiona sua alma na fotografia, para toda a eternidade.

11º campeonato · Fotografia

Evidências

Naquela noite, entre as nuvens, ele a viu, grande, magnífica, brilhando em forma alongada. Correu à mesinha, pegou a câmera e voltou à varanda. Mãos trêmulas, fez várias fotos. “Ficaram ótimas”, pensou. No PC, ao conectar para enviar… elas haviam sumido.

11º campeonato · Bolso

Memento Mori

Tiros ecoavam pelas ruínas. Os gritos das criaturas se aproximavam. Do bolso, puxou a última bala; mãos trêmulas, recarregou. Estava cercado. Levou o revólver à cabeça. As últimas lembranças da família vieram com as lágrimas. O estampido seco rasgou o silêncio.

11º campeonato · Bolso

Bolso Infinito

As crianças se encantavam com suas mágicas; olhos brilhavam, sorrisos se abriam. Trajado com elegância, o mágico tirava quase tudo dos bolsos.
O lorde empalideceu ao vê-lo surgir em sua suíte. Dos bolsos, ele sacou as adagas.
Os olhos do pecador brilharam, agora, de pavor.

11º campeonato · Bolso

O Segredo

Howard caminhava pelo aeroporto lotado. Ao esbarrar numa jovem, o homem ao lado pediu desculpas e a puxou pelo braço com força. Segundos depois, algo pesou em seu bolso. Um guardanapo.
Desdobrou-o. O coração disparou.
Em batom vermelho, tremido: “Socorro.”

11º campeonato · Banda

A Inspiração

As magníficas bandas lhe davam força, poder e coragem. Seus ouvidos captavam; o coração decifrava e ardia. Desde criança, sabia quem era, e o que devia fazer. O guardião. O protetor da Terra. Embalado pelas músicas, lutaria com toda a alma e sangue.

11º campeonato · Banda

Os Algozes

Devotaram suas vidas à causa, por altruísmo e justiça. Eram os braços, esquerdo e direito. Ascenderam a Yggdrasil e dividiram seu fruto: uma dádiva para cada um. Imortais, tornaram-se lordes do julgamento, juízes da punição, assassinos do mal.

11º campeonato · Banda

O Artefato

Era apenas uma ferramenta, como uma faca: podia salvar ou destruir. A guerra não explodiu; foi massacre. Família, amigos, cidade, tudo seria dizimado. Mas o Arquimago empunhou o artefato, a banda do coração de um antigo demônio, e bradou: — Julgamento Infernal!

11º campeonato · Ficção

O Vislumbre

As guerras terminaram há séculos. Doenças foram erradicadas por nanorrobôs. A humanidade, biologicamente imortal, espalhou-se pelas estrelas.
Ele desperta eufórico, até que a tristeza o invade e as lágrimas caem.
Era apenas um sonho. Impossível naquela realidade cruel.

11º campeonato · Ficção

Teatro das Sombras

Poder, manipulação, controle, dissimulação, mentiras… suas armas são muitas. Poucos governam os muitos.
A verdade, porém, quebra correntes e ilumina mentes.
Eles trilham as sombras para expurgar o mal, com canetas e adagas, rasgam a ilusão nefasta.

11º campeonato · Ficção

O Despertar

Depois daquele esbarrão, algo mudou dentro dela. Sentia-se estranha: às vezes um déjà-vu; outras, um terror sutil, como se algo a observasse.
A cada dia, piorava. Já não distinguia ilusão da realidade.
Então a revelação ecoou em sua mente:
— Não é o seu fim. É o meu despertar.

11º campeonato · Cobre

O Aventureiro

O cavaleiro imponente entrou na guilda. Todos o admiravam, armadura de aço reluzente, detalhes em cobre, espada larga à cintura. Cumprimentou a recepcionista e pousou um saco sobre o balcão. Ao abri-lo, revelou a cabeça grotesca de um vampiro.
— Está feito.

11º campeonato · Cobre

A Síndrome do Cobre

Dizem que veio das estrelas, mas ninguém sabe sua origem. Extremamente contagiosa, espalha-se como gripe. Começa como um resfriado comum, depois, a pele endurece, avermelha, cobre-se de crostas metálicas. No fim, o corpo trava, torna-se estátua, consciente até morrer.

11º campeonato · Cobre

O Ritual

O pai a cobre com a manta de gatinho, como sempre. Beija-lhe a testa e deseja boa noite.
— Papai, vê se tem monstro?
Ele olha o guarda-roupa e debaixo da cama.
— Não há nenhum. O cobertor te protege.
Sonolenta, ela fecha os olhos. Então, um sussurro:
— Ele já a cobriu.

11º campeonato · Melancia

A Plantação

Ela se estendia por quilômetros. Suas trepadeiras engoliam os campos. Seus frutos eram melancias imensas, de casca verde-escura listrada e polpa vermelha, suculenta. Meses se passaram, e ela dominou tudo. O planeta azul oferecia o melhor adubo: humano.

11º campeonato · Melancia

Ação e Reação

A plantação agonizava: caules retorcidos, folhas amareladas e secas. O homem puxou uma melancia e, com o facão, partiu-a ao meio. Estava podre. A terra devolvia o que recebera. O rosto entristeceu. Escorreram lágrimas. Sob o sol escaldante, murmurou ao filho:
— Estamos colhendo.

11º campeonato · Melancia

Devoradores

Milhões surgiram nas praias. Ninguém sabia o que eram nem de onde vinham. Tinham o tamanho de uma melancia grande, casca grossa e acinzentada que às vezes vibrava. À noite veio a revelação: eclodiram. Fortes, rápidos e alados. Centenas de dentes ávidos por carne humana.

11º campeonato · Ano

Nada é Verdade, Tudo é Mentira

Anos viram décadas, décadas tornam-se séculos, que deságuam em milênios. Tudo muda, menos eles. Os senhores do mundo, eternos no poder, vestem mentiras com a máscara da verdade. Falam em democracia, direitos, liberdade… enquanto forjam correntes invisíveis.

11º campeonato · Ano

O Pesar do Pecado

A nave Spes singrava a constelação de Scutum em uma missão nobre, tripulada pelos melhores astronautas. Após três anos à velocidade da luz, alcançaram o destino, um novo mundo, batizado de Neo Terra. Ao vislumbrarem o azul do planeta, as lembranças da Terra ecoaram em seus corações.

11º campeonato · Ano

O Demônio do Tempo

O altar erguia-se profano, círculos e pentagramas traçados com sangue de virgens. O perfume das velas misturava-se ao odor ferroso no ar. Mascarados poderosos cercavam o rito. No centro, o grão-sacerdote entoava cânticos antigos, abafando os choros que ecoavam na escuridão.

11º campeonato · Toa

A Caverna

À deriva, aceitaram o reboque do silencioso pesqueiro. Horas depois, a ilha apareceu no horizonte. A caverna, enorme e disforme, parecia uma boca à espera. O cheiro de podridão invadiu o convés. O capitão sorriu pela primeira vez, e soltou o cabo.

11º campeonato · Umbigo

A Ligação

O cordão umbilical é cortado, mas o vínculo jamais. Ela chorava antes de qualquer um, tristeza e orgulho misturados. Seus sete filhos, heróis, deram a vida pela Terra. A guerra terminou com o sacrifício final da caçula: a nave explodiu, levando consigo a Rainha dos Conquistadores.

11º campeonato · Umbigo

Guardiões

Rastreador, GPS? Não. Era mais forte. Mesmo com o cordão cortado, nada impedia a ligação entre mãe e filho. Encontraram a casa do sequestrador. Por ele, dariam a própria vida. O pai entrou pela frente. Lutaram. A lâmina da mãe veio por trás, justiça feita. O criminoso tombou.

11º campeonato · Umbigo

O Parasita

Tudo começou de repente. Sarah sentia-se cansada, apática, deprimida. Exames, médicos, psicólogos, nada explicava. No consultório, uma garotinha se aproximou, apontou para sua barriga e sussurrou, receosa:
— Tem uma sombra ligada a ela.

11º campeonato · Moeda

A Moeda

Cara ou coroa. Libra. Yin e Yang. Bem e mal. Dualidade. Equilíbrio.
Duas forças o governavam, em perfeita harmonia. Algoz e juiz.
Ela veio das estrelas, forjada em metal desconhecido. Ao lançá-la, a verdade surgia em sua mente. Então ele decidia: salvar… ou punir.

11º campeonato · Moeda

Cara ou Coroa

Cercado por cavaleiros, era vida ou morte. Astuto, o bardo sempre guardava um truque. Uma moeda de ouro surgiu entre seus dedos.
— Coroa, revelo o tesouro. Cara… eu desapareço.
— Jogue!
Ele lançou, apanhou no ar e sorriu.
— Deu cara.
E desapareceu como fumaça ao vento.

9º campeonato 6

9º campeonato · Cobertor

ESCUDO DE PANO

Sarah puxou o cobertor às pressas. O pai sempre dizia: "É seu escudo contra os monstros."
Agora protegida, o coração ainda disparado, sentia-se segura.
Então, uma voz sussurrou em seu ouvido:
— Você foi lenta demais.

9º campeonato · Confusão

FRAGMENTOS DE SI

Eram tantas máscaras: uma para a família, outra para o trabalho, outra para os amigos, mais uma para a sociedade...
Já não sabia quem era.
Confuso, perdido, vagava pelos corredores da própria mente, buscando, em meio aos disfarces, o seu eu verdadeiro.

9º campeonato · Olhos

OS OLHOS DE DEUS

Um grande arquimago criou a magia proibida: “Olhos de Deus”.
O fogo purificador, consumia os que mentem, dissimulam, traem, matam ou exploram.
Temida por aqueles que se corromperam. Pois não havia esconderijo e nem escapatória.
Ela vê a alma, sussurra o juízo...
E condena.

9º campeonato · Vaso

O VASO DA PERDIÇÃO

Lendas falam de um vaso criado por mãos que pactuaram com sombras. O vaso concede um desejo a quem o quebra — mas algo valioso é tomado em silêncio. Ninguém sabe o que, nem quando. Depois, desaparece… e ressurge em outro lugar, intacto, à espreita de um novo tolo.

9º campeonato · Mentira

OS HERÓIS DAS SOMBRAS

Suas mentiras lançaram o mundo ao caos, à guerra e à destruição. Tudo pelo poder, pela cobiça. Das sombras eles ressurgiram, trazendo a punição divina, dispostos a eliminar o mal e restaurar o equilíbrio. Cumprida a missão, enfim poderiam desaparecer.

9º campeonato · Estudo

AULA PRÁTICA

À espreita, oculta e paciente, a gata fixa os olhos no alvo. Move-se lenta, certeira. Um salto, o abate: presas cravadas na carne, o sangue quente escorre pela boca. Arrasta o corpo inerte até o filhote. Não mia, não consola. Apenas ensina a arte da caça.

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

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