4º campeonato · Terror
Eu mesmo sentia medo daquilo que escrevia. Era o personagem mais complexo que já criara. Ele era tão real que quase podia vê-lo, sentir seu cheiro, ouvir sua respiração. Parei de escrever por um segundo, para ter tempo de absorver tamanha crueldade. Parei de escrever, mas a respiração ofegante que eu ouvia continuou. Olhei no canto escuro do quarto e lá estava a silhueta, exatamente como imaginara. "É você?" Perguntei. "Sou a mancha incômoda no canto do seu olho esquerdo. A cicatriz daquele acidente que você causou embriagado. Sou aquela vez que você foi agressivo, abusivo, mas só percebeu tempos depois. Sou as piores partes de você mesmo, que você apenas acha que quer esconder do mundo. Sou eu, sim. Mas também sou você."