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Microconto

Campeonatos de microcontos · Autores

@saulobezerrabjj

55 microcontos nos campeonatos 11º, 5º e 4º.

11º campeonato 24

11º campeonato · Diálogo

UM LAR? — Você nunca me escuta — ela disse, sem tirar os olhos do livro.
Ele baixou o volume da TV, franziu a testa e virou-se para o sofá:
— O que você disse?
Ela fechou o livro lentamente, soltou um suspiro pesado e encarou o vazio da sala.
— Exatamente.

11º campeonato · Diálogo

BRADO SILENCIOSO. — Você ainda fala comigo? — perguntou ele, olhando para a xícara vazia.
— Sempre falei — respondeu o silêncio.
Ele respirou fundo.
— Então por que nunca me responde?
— Eu respondo — disse o silêncio outra vez. — Você é que tem medo de escutar.
A xícara continuou vazia. Mas, pela primeira vez, ele não estava sozinho

11º campeonato · Fotografia

O ASSALTO. Com terror no olhar viu sua bolsa ser levada com a única lembrança de sua mãe.

11º campeonato · Bolso

O RECADO: No fundo do bolso do casaco antigo, ele guardava o mundo.
Havia uma moeda gasta, um bilhete de ônibus vencido e um papel dobrado tantas vezes que já parecia tecido. Nele, a letra apressada dizia apenas: “Volto já.”
Nunca voltou.
Às vezes, na pressa do dia, ele enfiava a mão no bolso e sentia o farfalhar do papel, como se fosse um coração pequeno insistindo em bater. Não tinha coragem de jogar fora. Nem de reler.

11º campeonato · Bolso

DECEPÇÃO: Achou que era um carinho lascivo no joelho, mas era só o celular vibrando no bolso furado da calça jeans.

11º campeonato · Banda

ATRAVÉS DO ESPELHO: O espelho partiu-se ao meio, mas ele não desviou o olhar. De um lado, o rosto que o mundo conhecia; do outro, a banda obscura que guardava apenas para si. No reflexo rachado, ele finalmente estava inteiro.

11º campeonato · Banda

IRMÃOS ANICETO: O pífano rasgou o mormaço da tarde, agudo e ancestral, convocando os mortos e os vivos para o centro do terreiro. Não era apenas música; era o chão batido ganhando voz. Os zabumbas entraram em seguida, um trovão seco que sincronizava os batimentos cardíacos de quem assistia com o couro esticado pela mão do mestre.
​Enquanto o mormaço subia, os músicos giravam em um transe de fôlego e suor. Cada nota era um grito de resistência que atravessava séculos de poeira. Quando o último sopro silenciou, o sertão pareceu prender a respiração, ainda vibrando com a força de uma banda que não tocava para os ouvidos, mas para a terra.

11º campeonato · Banda

DISCORDIA: A banda acabou antes de começar.
Brigaram pelo nome, pelo solo, pelo sonho.
Anos depois, cada um seguiu seu caminho —
mas, quando a mesma música toca no rádio, todos ainda baixam o volume da vida para ouvir o que poderiam ter sido.

11º campeonato · Ficção

CO-AUTOR

Ele descobriu que era personagem quando começou a ouvir o som das páginas sendo viradas.
Tentou correr, mas a rua terminava sempre na mesma vírgula. Gritou, mas sua voz saía em fonte tamanho 12, perfeitamente alinhada.
Então decidiu fazer o impensável: ficou imóvel.
As páginas passaram em branco.
E, pela primeira vez, ele escreveu o autor.

11º campeonato · Ficção

MATRIX: O relógio de pulso de Elias marcou 24:01.
​Ele estranhou, mas o verdadeiro calafrio veio quando olhou pela janela: os carros flutuavam, imóveis, presos em uma malha de luz neon que costurava o céu. Ao tocar o vidro, a ponta de seu dedo não encontrou resistência, apenas uma vibração morna e um aviso em letras garrafais que surgiram no ar:
​ERRO DE RENDERIZAÇÃO: Reiniciando consciência em 3... 2...
​Elias tentou gritar, mas sua voz já era apenas uma linha de código se desfazendo no vácuo.

11º campeonato · Cobre

Luto: O céu daquela tarde tinha cor de cobre, como se o sol estivesse enferrujando.
Ele segurava o velho fio desencapado entre os dedos, tentando religar o rádio do pai.
Quando a estática cedeu lugar à música, percebeu: não era eletricidade que corria ali — era memória conduzida por metal.
E, pela primeira vez desde o luto, a casa voltou a vibrar.

11º campeonato · Cobre

100 METROS RASOS: Juvenal finalmente encontrou o tesouro: um cano de cobre grosso, brilhando como ouro de tolo no sótão.
​— Agora eu mudo de vida! — rugiu, dando a primeira marretada.
​O cano não quebrou, mas o reboco sim, revelando que o metal servia de suporte para um enxame de marimbondos que não pagavam aluguel há décadas. Juvenal não ficou rico, mas mudou de vida: descobriu que consegue correr 100 metros rasos em tempo recorde e que seu rosto, de tão inchado, agora lembrava uma melancia madura.

11º campeonato · Melancia

MEMÓRIAS: A melancia ocupava metade da mesa e todo o verão da infância.
Quando o pai cravou a faca, o estalo abriu não só a casca verde, mas uma memória inteira: o cheiro doce, as mãos pegajosas, as risadas escorrendo pelo queixo.
Anos depois, sozinho na cozinha silenciosa, ele repetiu o gesto.
A melancia partiu-se ao meio —
e por um instante, o mundo voltou a ter sementes de alegria.

11º campeonato · Melancia

O sol do meio-dia não perdoava, mas ele nem sentia. Deitado na rede, sustentava com orgulho aquele globo perfeito que desafiava a gravidade sob a camisa regata.
A neta, curiosa, aproximou-se e deu dois tapinhas secos na pele esticada. O som foi oco, firme, musical.
— Tá madura, vô? — ela perguntou, rindo.
Ele deu um tapinha de volta, soltou um riso satisfeito e respondeu:
— Essa aqui não, pequena. Essa aqui é safra especial, cultivada a base de churrasco e muita paciência.

11º campeonato · Ano

RÉVEILLON

No último dia do ano, ele guardou no bolso um papel com tudo o que não conseguiu ser.
À meia-noite, enquanto os fogos riscavam o céu, rasgou a lista em silêncio.
O novo ano não começou com promessas — começou com espaço.

11º campeonato · Ano

MATURIDADE

No espelho, ele procurava o rastro do tempo como quem busca uma assinatura. Não estava nas rugas ao redor dos olhos, que ele preferia chamar de mapas de riso, nem nos fios brancos que insistiam em brilhar sob a luz do banheiro.
​O ano extra não estava na pele; estava no peso mais leve de suas certezas e no silêncio que, finalmente, não precisava mais ser preenchido. Ele não estava ficando mais velho; estava apenas se tornando mais nítido

11º campeonato · Toa

DESEMPREGO passou a vida correndo atrás de horários, metas e promessas.
Um dia, perdeu o ônibus, o emprego e a pressa.
Sentou-se na praça, olhando as nuvens desfiando o céu, sem destino algum.
Pela primeira vez, estava à toa.
E descobriu que o mundo continuava girando — mesmo sem ele empurrar.

11º campeonato · Toa

No palanque, as promessas transbordavam, infladas por punhos cerrados e hinos decorados. Prometiam o asfalto, o pão e a glória. O povo, aglomerado sob o sol de meio-dia, aplaudia o eco de palavras que já conhecia de cor.
​Enquanto isso, nos gabinetes de mármore e portas blindadas, as canetas repousavam sobre papéis em branco. Entre um cafezinho e um riso abafado, decidiam o destino de milhões com o descaso de quem joga dados. A esperança de uma nação morria ali, no cinismo de quem governa à toa, tratando o futuro como um detalhe irrelevante diante do próximo banquete.

11º campeonato · Umbigo

LIGAÇÃO: Ele descobriu o próprio umbigo aos cinco anos, como quem encontra um enigma no meio da barriga.
Perguntou à mãe por que tinha aquele pequeno redemoinho afundado na pele. Ela respondeu: “É o nó da primeira saudade.”
Desde então, sempre que se sentia sozinho, ele tocava o umbigo com a ponta do dedo — como se apertasse um botão secreto que o ligava, invisível, a um tempo em que nunca esteve só.

11º campeonato · Umbigo

EGO MAXIMUS: O mestre da autorreferência não precisava de espelhos; bastava-lhe baixar o olhar. Para ele, o mundo não era um globo, mas uma circunferência perfeita que orbitava em torno daquele pequeno buraco no centro de si.
​Passava os dias polindo a própria pele, certo de que o universo era um dreno e ele, o único ponto de escoamento que importava. Quando o resto do mundo gritava por socorro, ele apenas limpava um fiapo de algodão imaginário do próprio ventre, sorrindo para o abismo que chamava de centro do mapa.

11º campeonato · Umbigo

NARCISO: Narciso não se afogou num lago; ele se perdeu num looping. Convencido de que seu umbigo era o botão de "pause" do universo, passava horas em meditação profunda, encarando a própria barriga.
​— Se eu apertar bem forte — sussurrava para as paredes — , o mundo lá fora finalmente para de girar e me deixa em paz.
​A epifania veio numa terça-feira, quando descobriu um fiapo de meia azul preso na cavidade. Em vez de limpar, ficou horrorizado: para ele, aquilo não era sujeira, era a prova de que o cosmos estava tentando vazar para dentro do seu santuário particular. Passou a tarde tentando "rosquear" o umbigo no sentido horário, crente de que, se fechasse bem a tampa, o resto da humanidade finalmente deixaria de existir.

11º campeonato · Moeda

CONTO DE REIS: Ele guardava moedas num pote de vidro — não pelo valor, mas pelo som.
Toda noite, despejava-as na mesa e escutava o tilintar metálico, como se cada centavo narrasse um dia vencido. A moeda mais antiga, já quase lisa, não comprava mais nada — exceto a lembrança do primeiro salário.

11º campeonato · Moeda

APOSTA: No ar, o metal girava entre o "sim" e o "não". Antes que a moeda tocasse o chão, ele percebeu que a sorte já fora lançada: o valor não estava na face que ficaria para cima, mas na coragem de aceitar o lado que o destino escolhesse.

11º campeonato · Moeda

POÇO DOS DESEJOS: No fundo da fonte, a moeda de um centavo brilhava sob o lodo. Fora o preço barato de um desejo de juventude, hoje uma perda irrisória comparada ao peso do amor que ele deixou afundar junto com o metal. Percebeu que algumas fortunas a só se valoriza quando o troco é a solidão.

5º campeonato 14

5º campeonato · Cavalo

A SECA

Já não chovia há meses. Não havia mais nenhuma rês a ser sacrificada, nem uma galinha, nada. Seu pomar e horta secaram. Restava agora amolar a faca se desfazer do seu magro meio de transporte na esperança de sobreviver.

5º campeonato · Bolinha

Olho de vidro.
Aquela era sua melhor bolinha de Gude. Do tamanho certo, cor perfeita e padrão unico. Era impossível perdê-la, pois era inconfundível, diferente e seus amigos da rua ficavam desconfortáveis quando ia jogar com ela.

5º campeonato · Palhaço

Medo de palhaço. Não era trauma de infância, mas da vida adulta mesmo. Perdera sua mulher numa crise de riso depois de um espetáculo num circo.

5º campeonato · Marca

Indefinição. Não eram amantes, nem apenas amigos. Nunca havia ocorrido beijos, contudo flertes e conversas eram frequentes. Percebeu que algo deveria ser definido quando na pele, de forma discreta, tatuou a marca que seria a lembrança sua para ela por toda vida.

5º campeonato · Baralho

Titulo: "Carta fora do baralho" Chegou em frente a casa dela a tempo de vê-la sair na garupa da moto do dentista que fazia seu tratamento.

5º campeonato · Cebola

Titulo: CANIBAL. - Cortou as cebolas em rodelas para refogar. Gostava de cozinhar a carne ainda fresca para realçar o sabor. Com a faca afiada, Cortou um bom pedaço de bife de coxa alheio aos gritos abafados pelo pano amarrado na boca da sua vítima.

5º campeonato · Nota

Titulo: Amor Platônico - Era um músico fracassado. A música de sua vida permaneceu incompleta, pois faltou a nota que completaria o acorde final. Ela preferiu estar em outra partitura.

5º campeonato · Desejo

Titulo: Lâmpada Mágica

A fumaça subiu e tomou conta da sala.
Com voz forte o gênio afirma poder lhe conceder três desejos.
Pensou que seria fácil, queria apenas uma coisa: o amor da moça que tanto almejava.
- Apenas desejos materiais. Afirma o gênio.
Jogou fora aquela lâmpada imprestável.

5º campeonato · Vazio

Litígio

Saiu de casa sem levar nada. Deixou casa, carro, imoveis, até o cachorrinho ficou. Levou apenas as roupas que precisava vestir e sua escova de dentes. Entretanto o vazio de sua presença em casa e o buraco no coração pesavam mais que qualquer bem material que pudesse ter levado.

5º campeonato · Vazio

O divórcio eterno

" A casa tornou-se um lugar de silêncio e vazio. As risadas das crianças já não preenchiam os cômodos, e a ausência da ex-esposa era como um fantasma constante. Desejou ardentemente que estivesse vindo do cartório e assinado os papeis de divorcio do que do cemiterio. Estava à deriva em um mar de lembranças dolorosas, ansiando por um porto seguro para sua alma despedaçada."

5º campeonato · Estrela

Estrela cadente. Melancólico, notou que seu único sucesso não tocava mais nas rádios.

5º campeonato · Estrela

Roswell

"Longe de seu transporte , olhar a estrela lembrava-os de casa, trazendo saudade e esperança."

5º campeonato · Pétala

Amor platônico. Desnudou-a em seu pensamento pétala por pétala, pois sabia que na vida real tal rosa não poderia ter.

5º campeonato · Corpo

Possessão. Não durou um dia naquele corpo. O hospedeiro sofria do coração.

4º campeonato 17

4º campeonato · Anel

Titulo: esposa ciumenta. Estava despreocupado após o acidente na serra elétrica no trabalho. Não precisaria justificar à esposa o porquê de chegar em casa sem o anel de casamento.

4º campeonato · Abóbada

Nada lhe preparara para aquilo.
Para se tornar chefe do clã deveria derrotar seu irmão numa luta até a morte em frente a toda tribo.
Carregou pesaroso aquele escudo manchado de sangue durante todo seu reinado.

4º campeonato · Receita

Titulo: A herança. Já era a décima farmácia que passava e estava chegando à conclusão que aqueles papéis preenchidos pelo seu falecido marido no bloco de receitas médicas, nunca seriam decifrados.

4º campeonato · Receita

Não sabia que seria eternizado em textos sagrados ao levar aquela gestante ate o estábulo.

4º campeonato · Receita

Acusou-a injustamente. Deu-se conta do erro quando na filmagem viu o felino roubar os bifes da pia.

4º campeonato · Bilhete

Ao sair para trabalhar sua linda mulher disse que depois da academia iria ao médico. Ao chegar suado, roupa suja de graxa e cansado, leu o bilhete sobre a mesa e entendeu o motivo da sua mãe sempre lhe dizer que deveria estudar para ser engenheiro, "adevogado" ou "dotô"...

4º campeonato · Drama

A ÚLTIMA PICADA: No momento em que inseria aquela agulha em sua vêia, junto com suas lágrimas de desesperança iam embora a morte prematura de seu irmãozinho pequeno, a mãe drogada que nunca lhe escutava, o padrasto que cotidianamente lhe estuprava, o olhar julgador e os comentarios maldosos das pessoas da cidade sobre ela por causa de sua familia e suas infrutíferas tentativas de escapar daquela realidade e ser alguém na vida.

4º campeonato · Romance

Acordava todo dia cedinho, passava na calçada do vizinho, arrancava a mais linda rosa que via e deixava sorrateiramente na janela da casa dela que ficava no quarteirão posterior. Era tímido demais para se apresentar. Por isso se lamentava tanto ao descobrir o namoro dela com o dono da roseira...

4º campeonato · Fantasia

O Leprechaun assistia preocupado o noticiário. A desvalorização do Ouro e a deflação tinham feito seu tesouro no fim do arco-íris perder mais de 50%do valor.

4º campeonato · Fantasia

Chegou em casa sem o pirulito que saiu para comprar na venda da esquina. Ao ser indagado pelo pai onde estaria o doce responde: Pai, eu dei a Flavinha. O senhor não disse que a gente deveria sempre ser gentil e agradar quem a gente gosta? O pai sorri orgulhoso quando é interrompido pelo filho: - Agora me arruma mais dinheiro pra eu comprar um pra mim, mas vou esperar ela sair da calçada, se não terei que dar o meu pirulito de novo...

4º campeonato · Terror

Entendeu todos os medos e o terror noturno de seu filho ao olhar embaixo da cama para mostrar que monstros nao existem e com espanto se ver sorrindo de forma macabra...

4º campeonato · Humor

-Eita, Maria! Agora danou-se! Eu tinha te falado que esse negócio de pílula azul num dava certo! Tu ficou de bode e agora pra não desperdiçar vou lá no bar da Neide! Faz um caldo pra quando eu voltar...

4º campeonato · Pico

Título: Desinteria. Naquele dia não poderia atrasar, pois iria a pedir em casamento e tudo estava planejado: Mesa reservada, banda, garçom trazendo a aliança no champagne. Seria perfeito, só não contava que o pão de queijo no cafezinho da tarde lhe cairia tão mal que as horas perdidas no banheiro lhe impuseram um atraso de duas horas e meia por causa do horário de pico na avenida Brasil.

4º campeonato · Ontem

Titulo: amnésia - você casou ontem, não lembra? Indagou o melhor amigo quando questionado sobre quem era a moça que acordou com ele no quarto do hotel.

4º campeonato · Sinais

Titulo: mal entendedor. Nunca foi bom de entender sinais, por isso que quando a moça passou ao seu lado na mesa e propositadamente deixou cair um papel com seu número de telefone chamou-a avisando do ocorrido e lhe entregando o papel. Nunca mais a viu.

4º campeonato · Alunos

Titulo: Orgulho. Ao ligar a TV no jornal nacional teve a grata surpresa de saber que conhecia o ganhador do Nobel de medicina, havia sido seu aluno no ensino fundamental na escola do bairro. Era o único professor que acreditava e o incentivava no seu sonho de ser médico.

4º campeonato · Selo

Titulo: O incendiario. A única lembrança que sobrou da carta de despedida de sua amada era aquele selo carimbado e ainda chamuscado que resgatou do incêndio que vitimou a casa dela.

Textos publicados pelo autor nos comentários do @3serpentes durante os campeonatos de microcontos.

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